”Todos os aparelhos ideológicos de Estado quaisquer que sejam estruturam a reprodução das relações de exploração capitalistas de produção, sendo que um deles em especial é o dominante devido a sua música silenciosa de sua retórica disseminada pelos professores e dissimulada pela ideologia escolar neutra de formação moral do indivíduo que é colocado lá desde criança, trata-se do Aparelho Ideológico de Estado Escolar.”
( ALTHUSSER, 1969,p.78-81)
O ideário iluminista de uma instituição escolar pública de espaço laicizado obrigatório como prioridade essencial para uma educação escolar fundamentada e sistematizada no rigor metodológico que caracteriza o saber e o conhecimento científico nunca floresceu no Brasil, especialmente após a Revolução de 30 porque a sua nova burguesia pós-agrária fundamentou que esta como Instituição de controle e disciplina deveria ser dualista - uma instituição escolar de currículo humanista para bacharelar os filhos da burguesia e outra com currículo tecnicista para capacitar os filhos do proletariado nascente- como essencial para manutenção do status quo e para impulsionar o progresso tecnológico-industrial do país ; inculcando os valores-chaves do tradicionalismo brasileiro reconfigurados de modo a estes não entrarem em contradição com o liberalismo sócio-político presentes no país principalmente da religião católica com a presença do ensino religioso obrigatório patrocinado pelo Estado que transplantava o espaço familiar subjetivo da crença para o espaço público escolar com a finalidade de, obsedante de solução para os problemas econômicos e conciliadora de conflitos de classe, porém este liberalismo não preconizava as idéias liberais de Dewey a respeito da Educação escolar porque os planos educacionais estatais sempre foram econômicos- reformistas nunca um projeto político-pedagógico de discussão a respeito das prioridades e potencialidades da Educação como um processo global de acessibilidade , esclarecimento e conhecimento da realidade sócio-histórica que fundamentasse cidadãos conscientes de seu papel social presentes no movimento da Escola Nova ,que exigia uma educação pública ,laica, secular e de qualidade sem a presença da religião e do dualismo pedagógico tendo como defensores Anísio Teixeira,Fernando de Azevedo e Lourenço Filho que militavam pela tomada de consciência da defasagem entre a educação e as exigências do desenvolvimento, buscando democratizar e transformar a sociedade por meio da instituição escolar, enquanto que os católicos consideravam que somente a verdadeira educação poderia ser aquela vinculada à visão moral cristã de educar através do instruir, efetuada por um ensino humanístico restrito à elites.Este conflito acirrado na realidade era um disputa ideológica porque os escolanovistas representavam o liberalismo democrático e os anseios da burguesia capitalista urbana em ascensão que recusava o dualismo escolar vigente mas ao mesmo tempo não questionavam o sistema capitalista como um todo, negavam as diferenças de classe e eram movidos pelo otimismo pedagógico enquanto que os católicos sempre foram comprometidos com as forças oligárquicas conservadoras e com seu discurso reacionário, tendo a maioria dos sistemas de ensino particulares de grau secundário, o que em suma afastou ambos de uma real educação popular pública, porque a tão propagada laicidade do ensino e na aprendizagem jamais poderia existir uma vez que a existência de uma educação pública e popular de qualidade amplia a participação política e consequentemente a alteração da estrutura do poder.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
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