quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
ARTIGO CIENTÍFICO
O IDEÁRIO CONSENSUAL TUPINIQUIM
Pedro Paulo Netto Santanna Filho ¹
RESUMO- O presente artigo tem por objetivo contextualizar o ideário consensual tupiniquim resultante do processo civilizatório jesuíta como um dos elementos culturais fundamentais do positivismo herdado da sociedade francesa que sedimentou-se somente aqui e do tradicionalismo presentes no cotidiano e em sua realidade sócio –histórica, cujo desdobramentos se reproduzem nas mais diferentes vertentes políticas e sociais como um instrumento dinamizador eficiente para aplacar as tensões cotidianas estruturando e sedimentando a unidade nacional utilizando-se de um discurso emocional assentado numa sanção social de caráter singular que descaracteriza as formas racionais de representação civil, significados de termos políticos e tendo como uma de suas finalidades a luta pelo domínio da Educação escolar pública com auxílio do ensino religioso obrigatório para disciplinar e coagir a racionalidade individual dos alunos, a representatividade da Gestão democrática e buscar incessantemente o consenso não importando que tenha que retroceder historicamente para atingir o seu fim em si que é a satisfação que gera a felicidade para todos .
UNITERMOS: Sadomasoquismo,Sanção Social, Punição, Laicidade, República,Mundos Etnologicamente distantes, Dogmas, Fundamentalismo.
A República brasileira sempre cedeu a tradições alheias à representação real do Estado laico anticlerical republicano como ocorreu na França porque o imaginário dos positivistas brasileiros ansiava por uma ditadura positivista republicana e não uma República liberal democrática laica e secular. O desejo destes era de passar de uma Utopia católica da idade média para uma Utopia leiga da idade positivista, fundindo o positivismo religioso de Comte com o Cívico brasileiro tornando-se místico-religioso estruturado no tripé família-pátria-humanidade e assentado no dogma da superioridade do sentimento do amor sobre a razão porque de acordo com Augusto Comte e seus positivistas os Países Latinos e especialmente o Brasil, de raiz tradicional católica,mariana e patriarcais seriam Nações negras e femininas portanto portadoras do progresso e altruísmo moral enquanto os Países Anglo-Saxões seriam masculinos, racionais e brancos, detentores do progresso Científico-Material.
¹ Graduando do Curso de Pedagogia do Centro de Ensino Superior Anísio Teixeira
A conservação do passado tradicional monárquico- religioso-católico considerado relevante pelos nossos positivistas como fases relevantes e portadoras de aspectos positivos necessários na evolução da humanidade, exemplifica a derrota do civismo positivista perante o religioso, criando uma tradição cívico-cultural cuja característica primordial é a descontinuidade, de sentido de comunhão nacional, de comunidade nacional e não de Estado-Nação.
A mentalidade brasileira é estruturada na aspiração de uma Conciliação Nacional para que sempre houvesse a ordem e progresso no país, evitando revoluções que ameaçassem o status quo reformador-liberal do décimo nono século que permanece até hoje negando direitos e representatividade às maiorias seculares e ateístas.
Este ideário da necessidade do imperativo moral equivalente ao sadomasoquismo físico que busca uma sanção sócio-punitiva ocorre no país porque em sua sociedade a opinião individual de terceiros ou seja, as suas justificativas filosóficas particulares a respeito de suas vidas, erros e limitações são considerados como o comportamento universal da sociedade brasileira, com a finalidade de se atingir o consenso através do dogmatismo emocional.
No país nunca houve tradicionalismo intrínseco tampouco religiosidade mas sim a presença de uma multiplicidade de práticas hierárquicas estruturadas nas preferências e vontades de indivíduos cordiais , que são aqueles que não possuem a racionalidade exigida por cidadãos integrantes do Estado Moderno Laico e secularizado , mas sim indivíduos que caracterizam a esfera pública como familiar, imersa na tradição jesuítica do medo da punição caracterizando o Estado como um servidor patrimonialista que deve atender suas necessidades e desenvolver o país ao mesmo tempo.
A França apesar de ter uma raiz católica e ter tido uma monarquia absolutista como a brasileira teve como resultado após três séculos de racionalidade Iluminista,sucesso econômico e civilizatório de sua sociedade burguesa um desprezo beligerante e cruel pelas práticas religiosas de qualquer seita/culto que resultou em 1904 no fechamento das escolas confessionais católicas por professarem o atraso da civilização,disseminarem ilusões e restringirem a liberdade humana.
A Lei Jules Ferry de 1905 que firmou o Princípio da Laicidade , executou a separação constitucional do Estado da religião e submetendo todas as seitas/cultos/práticas e filosofias supersticiosas a Lei das Associações comuns que cobram taxas para criação de suas construções e funcionamento e podem ser excluídas socialmente se exibirem condutas/atividades anticientíficas e dogmáticas porque o seu ideário consensual reside na atitude anticlerical.
A pesar dos franceses considerarem interessantes as práticas culturais de mundos etnologicamente distantes do seu como os brasileiros estes literalmente sentem-se incomodados quando estas práticas bárbaras e incovenientes buscam se instalar em seu solo pátrio e exibem sem pudor o seu desprezo iluminista e a força de suas leis laicizantes e punindo duramente seus integrantes e líderes,inclusive com a prisão.
N o Brasil , ao contrário qualquer prática transplantada de mundos e realidades etnologicamente distantes são portadoras de uma verdade dogmática universal que se aplica perfeitamente a sua realidade e portanto são detentoras de uma significação histórica superior a Lei Constitucional que preconiza o Estado como republicano e laico.
O Brasil, apesar da herança positivista ainda presente em seu cotidiano nunca se estabeleceu como Estado laico, tampouco executou a Separação Constitucional Legal entre Estado e igreja mas é considerado devido a equiparação de que País Republicano quer dizer Estado Laico.
O Estado Laico Republicano Contemporâneo tal como o conecemos não é o Estado brasileiro como todos afirmam porque este na realidade é uma república federativa como a república norte-estadunidense fundamentalista que insiste em ser uma “nação sob a proteção de deus” porque tem uma religião oficial que é a católica e o sincretismo religioso para demonstrar sua tolerância e uma necessidade infinita de defender um Estado que não tenha interferência das religiões mas permite que estas ditem valores morais e éticos, bem como o cotidiano da Ignorância Pluralística que atua com a finalidade de evitar a difusão de responsabilidades racionais de uma sociedade necessárias para o estabelecimento de direitos e deveres; assim, quais são as hipóteses para esta problemática ?
· É relevante obedecer sem questionar ?
· É relevante não questionar para não ter que discutir ativamente e tomar partido ?
· Fixar-se na opinião consensual maniqueísta é evitar o conflito ?
· A não-argumentação consciente e capaz de resultar em ações socialmente conscientes é um fardo ?
· É melhor ser solidário que ser Responsável ?
É este tradicionalismo de consensualidade precária que a maioria populacional brasileira busca inculcar na Educação escolar pública com a finalidade de solucionar não a desigualdade sócio-histórica –econômica ou combater a acomodação da responsabilidade civil mas sim a “encruzilhada moral “ no qual o país se encontra através da doutrinação obrigatória de valores fundamentalistas caracterizados na renovada catequese jesuítica denominado ensino religioso/educação religiosa ecumênica para continuamente exercitar o ciclo sadomasoquista da punição/sanção moral necessária, ignorando a realidade ,pacificando os conflitos e as diferenças de opinião e narcotizando os alunos,tornando-os ainda mais precários, mercadológicos e acríticos.
Em detrimento do envolvimento público e das discussões necessária à este Centro de Difusão Cultural a respeito da Gestão Democrática que estimula a formação de intelectuais orgânicos comprometidos com a disseminação da cidadania como um valor.
Entretanto este acontecimento tem hipóteses bem explícitas para sua existência:
A Educação ser considerada a solução para todos os problemas brasileiros especialmente os de diretriz moral?
O ressentimento ocasionado pelo sistema capitalista-mercadológico que assegura o consumo mas não resulta em satisfação ?
O saber educacional público estatal ser considerado uma questão de foro íntimo ?
A ignorância é a característica fundamental da ideologia brasileira ?
O sincretismo brasileiro é fundamental ou fundamentalista ?
Contextualizando todas os argumentos e as assertivas descritas; um elemento cultural deve ser levado em consideração para compreensão do ideário consensual tupiniquim estruturado na expectativa do imperativo moral da sanção físico- punitiva cotidiana: uma concepção de mundo colonizadora que sempre uniformizou as consciências sob o jugo do dogmatismo religioso.
Entretanto este deve ser encarado como elemento dinamizador e não o primordial para continuidade deste ideário como instrumento sócio-político eficiente, que agrega positivismo, liberalismo, sindicalismo, tecnicismo e pluralismo ao mesmo tempo sendo independentes, interdependentes e excludentes.
Uma das hipóteses para esta sobrevivência é que este assegura a unidade sócio-histórica-política e econômica do país, mas com a estabilidade econômica atual o esfacelamento sócio- cultural não subsiste como ameaça, outras hipótese podem ser listadas:
· A concepção de mercado e consumo capitalista brasileiro não pode ser totalizante se não houver a problemática da culpa ?
· A questão da salvação do país mesmo que exista diminuição das desigualdades é um imperativo para o seu desenvolvimento pleno ?
· Não é só uma questão de tradicionalismo, fundamentalismo ou ignorância pluralística , o consenso é uma defesa contra a racionalidade.
· O Estado brasileiro não é uma instituição sócio-política mas sim o reflexo das potencialidades e das carências da maioria de sua população .
· Os conceitos de Cidadania e Responsabilidade Civil são compreendidos como oportunidades e direitos e não deveres.
Um fato é defensável, o ideário consensual não é um instrumento societário de poder aleatório, utilizado em momentos de crise, apatia ou de convulsões sociais é uma alegoria de como o país pode ser contextualizado ; outra hipótese sintética de que os brasileiros estruturam sua mentalidade e atitudes entre a convivência e uma boa dose de tolerância a sombra dos acontecimentos que os rodeiam.
Portanto supor que as subjetividades individuais/comunitárias não tem um espaço fundamental neste ideário é negar representatividade à ignorância e a mediocridade como estágios de seu desenvolvimento cíclico-reprodutivista.
REFERÊNCIAS
ARANHA,Maria Lúcia de Arruda.História da Educação.2.ed ,revisada.atual.São Paulo,Moderna,1996.
DAWKINS,Richard, 1941-O Delírio de deus; tradução de Fernanda Ravagani.-São Paulo:Companhia das Letras,2007.Título original: The God Delusion
Pedro Paulo Netto Santanna Filho ¹
RESUMO- O presente artigo tem por objetivo contextualizar o ideário consensual tupiniquim resultante do processo civilizatório jesuíta como um dos elementos culturais fundamentais do positivismo herdado da sociedade francesa que sedimentou-se somente aqui e do tradicionalismo presentes no cotidiano e em sua realidade sócio –histórica, cujo desdobramentos se reproduzem nas mais diferentes vertentes políticas e sociais como um instrumento dinamizador eficiente para aplacar as tensões cotidianas estruturando e sedimentando a unidade nacional utilizando-se de um discurso emocional assentado numa sanção social de caráter singular que descaracteriza as formas racionais de representação civil, significados de termos políticos e tendo como uma de suas finalidades a luta pelo domínio da Educação escolar pública com auxílio do ensino religioso obrigatório para disciplinar e coagir a racionalidade individual dos alunos, a representatividade da Gestão democrática e buscar incessantemente o consenso não importando que tenha que retroceder historicamente para atingir o seu fim em si que é a satisfação que gera a felicidade para todos .
UNITERMOS: Sadomasoquismo,Sanção Social, Punição, Laicidade, República,Mundos Etnologicamente distantes, Dogmas, Fundamentalismo.
A República brasileira sempre cedeu a tradições alheias à representação real do Estado laico anticlerical republicano como ocorreu na França porque o imaginário dos positivistas brasileiros ansiava por uma ditadura positivista republicana e não uma República liberal democrática laica e secular. O desejo destes era de passar de uma Utopia católica da idade média para uma Utopia leiga da idade positivista, fundindo o positivismo religioso de Comte com o Cívico brasileiro tornando-se místico-religioso estruturado no tripé família-pátria-humanidade e assentado no dogma da superioridade do sentimento do amor sobre a razão porque de acordo com Augusto Comte e seus positivistas os Países Latinos e especialmente o Brasil, de raiz tradicional católica,mariana e patriarcais seriam Nações negras e femininas portanto portadoras do progresso e altruísmo moral enquanto os Países Anglo-Saxões seriam masculinos, racionais e brancos, detentores do progresso Científico-Material.
¹ Graduando do Curso de Pedagogia do Centro de Ensino Superior Anísio Teixeira
A conservação do passado tradicional monárquico- religioso-católico considerado relevante pelos nossos positivistas como fases relevantes e portadoras de aspectos positivos necessários na evolução da humanidade, exemplifica a derrota do civismo positivista perante o religioso, criando uma tradição cívico-cultural cuja característica primordial é a descontinuidade, de sentido de comunhão nacional, de comunidade nacional e não de Estado-Nação.
A mentalidade brasileira é estruturada na aspiração de uma Conciliação Nacional para que sempre houvesse a ordem e progresso no país, evitando revoluções que ameaçassem o status quo reformador-liberal do décimo nono século que permanece até hoje negando direitos e representatividade às maiorias seculares e ateístas.
Este ideário da necessidade do imperativo moral equivalente ao sadomasoquismo físico que busca uma sanção sócio-punitiva ocorre no país porque em sua sociedade a opinião individual de terceiros ou seja, as suas justificativas filosóficas particulares a respeito de suas vidas, erros e limitações são considerados como o comportamento universal da sociedade brasileira, com a finalidade de se atingir o consenso através do dogmatismo emocional.
No país nunca houve tradicionalismo intrínseco tampouco religiosidade mas sim a presença de uma multiplicidade de práticas hierárquicas estruturadas nas preferências e vontades de indivíduos cordiais , que são aqueles que não possuem a racionalidade exigida por cidadãos integrantes do Estado Moderno Laico e secularizado , mas sim indivíduos que caracterizam a esfera pública como familiar, imersa na tradição jesuítica do medo da punição caracterizando o Estado como um servidor patrimonialista que deve atender suas necessidades e desenvolver o país ao mesmo tempo.
A França apesar de ter uma raiz católica e ter tido uma monarquia absolutista como a brasileira teve como resultado após três séculos de racionalidade Iluminista,sucesso econômico e civilizatório de sua sociedade burguesa um desprezo beligerante e cruel pelas práticas religiosas de qualquer seita/culto que resultou em 1904 no fechamento das escolas confessionais católicas por professarem o atraso da civilização,disseminarem ilusões e restringirem a liberdade humana.
A Lei Jules Ferry de 1905 que firmou o Princípio da Laicidade , executou a separação constitucional do Estado da religião e submetendo todas as seitas/cultos/práticas e filosofias supersticiosas a Lei das Associações comuns que cobram taxas para criação de suas construções e funcionamento e podem ser excluídas socialmente se exibirem condutas/atividades anticientíficas e dogmáticas porque o seu ideário consensual reside na atitude anticlerical.
A pesar dos franceses considerarem interessantes as práticas culturais de mundos etnologicamente distantes do seu como os brasileiros estes literalmente sentem-se incomodados quando estas práticas bárbaras e incovenientes buscam se instalar em seu solo pátrio e exibem sem pudor o seu desprezo iluminista e a força de suas leis laicizantes e punindo duramente seus integrantes e líderes,inclusive com a prisão.
N o Brasil , ao contrário qualquer prática transplantada de mundos e realidades etnologicamente distantes são portadoras de uma verdade dogmática universal que se aplica perfeitamente a sua realidade e portanto são detentoras de uma significação histórica superior a Lei Constitucional que preconiza o Estado como republicano e laico.
O Brasil, apesar da herança positivista ainda presente em seu cotidiano nunca se estabeleceu como Estado laico, tampouco executou a Separação Constitucional Legal entre Estado e igreja mas é considerado devido a equiparação de que País Republicano quer dizer Estado Laico.
O Estado Laico Republicano Contemporâneo tal como o conecemos não é o Estado brasileiro como todos afirmam porque este na realidade é uma república federativa como a república norte-estadunidense fundamentalista que insiste em ser uma “nação sob a proteção de deus” porque tem uma religião oficial que é a católica e o sincretismo religioso para demonstrar sua tolerância e uma necessidade infinita de defender um Estado que não tenha interferência das religiões mas permite que estas ditem valores morais e éticos, bem como o cotidiano da Ignorância Pluralística que atua com a finalidade de evitar a difusão de responsabilidades racionais de uma sociedade necessárias para o estabelecimento de direitos e deveres; assim, quais são as hipóteses para esta problemática ?
· É relevante obedecer sem questionar ?
· É relevante não questionar para não ter que discutir ativamente e tomar partido ?
· Fixar-se na opinião consensual maniqueísta é evitar o conflito ?
· A não-argumentação consciente e capaz de resultar em ações socialmente conscientes é um fardo ?
· É melhor ser solidário que ser Responsável ?
É este tradicionalismo de consensualidade precária que a maioria populacional brasileira busca inculcar na Educação escolar pública com a finalidade de solucionar não a desigualdade sócio-histórica –econômica ou combater a acomodação da responsabilidade civil mas sim a “encruzilhada moral “ no qual o país se encontra através da doutrinação obrigatória de valores fundamentalistas caracterizados na renovada catequese jesuítica denominado ensino religioso/educação religiosa ecumênica para continuamente exercitar o ciclo sadomasoquista da punição/sanção moral necessária, ignorando a realidade ,pacificando os conflitos e as diferenças de opinião e narcotizando os alunos,tornando-os ainda mais precários, mercadológicos e acríticos.
Em detrimento do envolvimento público e das discussões necessária à este Centro de Difusão Cultural a respeito da Gestão Democrática que estimula a formação de intelectuais orgânicos comprometidos com a disseminação da cidadania como um valor.
Entretanto este acontecimento tem hipóteses bem explícitas para sua existência:
A Educação ser considerada a solução para todos os problemas brasileiros especialmente os de diretriz moral?
O ressentimento ocasionado pelo sistema capitalista-mercadológico que assegura o consumo mas não resulta em satisfação ?
O saber educacional público estatal ser considerado uma questão de foro íntimo ?
A ignorância é a característica fundamental da ideologia brasileira ?
O sincretismo brasileiro é fundamental ou fundamentalista ?
Contextualizando todas os argumentos e as assertivas descritas; um elemento cultural deve ser levado em consideração para compreensão do ideário consensual tupiniquim estruturado na expectativa do imperativo moral da sanção físico- punitiva cotidiana: uma concepção de mundo colonizadora que sempre uniformizou as consciências sob o jugo do dogmatismo religioso.
Entretanto este deve ser encarado como elemento dinamizador e não o primordial para continuidade deste ideário como instrumento sócio-político eficiente, que agrega positivismo, liberalismo, sindicalismo, tecnicismo e pluralismo ao mesmo tempo sendo independentes, interdependentes e excludentes.
Uma das hipóteses para esta sobrevivência é que este assegura a unidade sócio-histórica-política e econômica do país, mas com a estabilidade econômica atual o esfacelamento sócio- cultural não subsiste como ameaça, outras hipótese podem ser listadas:
· A concepção de mercado e consumo capitalista brasileiro não pode ser totalizante se não houver a problemática da culpa ?
· A questão da salvação do país mesmo que exista diminuição das desigualdades é um imperativo para o seu desenvolvimento pleno ?
· Não é só uma questão de tradicionalismo, fundamentalismo ou ignorância pluralística , o consenso é uma defesa contra a racionalidade.
· O Estado brasileiro não é uma instituição sócio-política mas sim o reflexo das potencialidades e das carências da maioria de sua população .
· Os conceitos de Cidadania e Responsabilidade Civil são compreendidos como oportunidades e direitos e não deveres.
Um fato é defensável, o ideário consensual não é um instrumento societário de poder aleatório, utilizado em momentos de crise, apatia ou de convulsões sociais é uma alegoria de como o país pode ser contextualizado ; outra hipótese sintética de que os brasileiros estruturam sua mentalidade e atitudes entre a convivência e uma boa dose de tolerância a sombra dos acontecimentos que os rodeiam.
Portanto supor que as subjetividades individuais/comunitárias não tem um espaço fundamental neste ideário é negar representatividade à ignorância e a mediocridade como estágios de seu desenvolvimento cíclico-reprodutivista.
REFERÊNCIAS
ARANHA,Maria Lúcia de Arruda.História da Educação.2.ed ,revisada.atual.São Paulo,Moderna,1996.
DAWKINS,Richard, 1941-O Delírio de deus; tradução de Fernanda Ravagani.-São Paulo:Companhia das Letras,2007.Título original: The God Delusion
CITAÇÃO
”Todos os aparelhos ideológicos de Estado quaisquer que sejam estruturam a reprodução das relações de exploração capitalistas de produção, sendo que um deles em especial é o dominante devido a sua música silenciosa de sua retórica disseminada pelos professores e dissimulada pela ideologia escolar neutra de formação moral do indivíduo que é colocado lá desde criança, trata-se do Aparelho Ideológico de Estado Escolar.”
( ALTHUSSER, 1969,p.78-81)
O ideário iluminista de uma instituição escolar pública de espaço laicizado obrigatório como prioridade essencial para uma educação escolar fundamentada e sistematizada no rigor metodológico que caracteriza o saber e o conhecimento científico nunca floresceu no Brasil, especialmente após a Revolução de 30 porque a sua nova burguesia pós-agrária fundamentou que esta como Instituição de controle e disciplina deveria ser dualista - uma instituição escolar de currículo humanista para bacharelar os filhos da burguesia e outra com currículo tecnicista para capacitar os filhos do proletariado nascente- como essencial para manutenção do status quo e para impulsionar o progresso tecnológico-industrial do país ; inculcando os valores-chaves do tradicionalismo brasileiro reconfigurados de modo a estes não entrarem em contradição com o liberalismo sócio-político presentes no país principalmente da religião católica com a presença do ensino religioso obrigatório patrocinado pelo Estado que transplantava o espaço familiar subjetivo da crença para o espaço público escolar com a finalidade de, obsedante de solução para os problemas econômicos e conciliadora de conflitos de classe, porém este liberalismo não preconizava as idéias liberais de Dewey a respeito da Educação escolar porque os planos educacionais estatais sempre foram econômicos- reformistas nunca um projeto político-pedagógico de discussão a respeito das prioridades e potencialidades da Educação como um processo global de acessibilidade , esclarecimento e conhecimento da realidade sócio-histórica que fundamentasse cidadãos conscientes de seu papel social presentes no movimento da Escola Nova ,que exigia uma educação pública ,laica, secular e de qualidade sem a presença da religião e do dualismo pedagógico tendo como defensores Anísio Teixeira,Fernando de Azevedo e Lourenço Filho que militavam pela tomada de consciência da defasagem entre a educação e as exigências do desenvolvimento, buscando democratizar e transformar a sociedade por meio da instituição escolar, enquanto que os católicos consideravam que somente a verdadeira educação poderia ser aquela vinculada à visão moral cristã de educar através do instruir, efetuada por um ensino humanístico restrito à elites.Este conflito acirrado na realidade era um disputa ideológica porque os escolanovistas representavam o liberalismo democrático e os anseios da burguesia capitalista urbana em ascensão que recusava o dualismo escolar vigente mas ao mesmo tempo não questionavam o sistema capitalista como um todo, negavam as diferenças de classe e eram movidos pelo otimismo pedagógico enquanto que os católicos sempre foram comprometidos com as forças oligárquicas conservadoras e com seu discurso reacionário, tendo a maioria dos sistemas de ensino particulares de grau secundário, o que em suma afastou ambos de uma real educação popular pública, porque a tão propagada laicidade do ensino e na aprendizagem jamais poderia existir uma vez que a existência de uma educação pública e popular de qualidade amplia a participação política e consequentemente a alteração da estrutura do poder.
( ALTHUSSER, 1969,p.78-81)
O ideário iluminista de uma instituição escolar pública de espaço laicizado obrigatório como prioridade essencial para uma educação escolar fundamentada e sistematizada no rigor metodológico que caracteriza o saber e o conhecimento científico nunca floresceu no Brasil, especialmente após a Revolução de 30 porque a sua nova burguesia pós-agrária fundamentou que esta como Instituição de controle e disciplina deveria ser dualista - uma instituição escolar de currículo humanista para bacharelar os filhos da burguesia e outra com currículo tecnicista para capacitar os filhos do proletariado nascente- como essencial para manutenção do status quo e para impulsionar o progresso tecnológico-industrial do país ; inculcando os valores-chaves do tradicionalismo brasileiro reconfigurados de modo a estes não entrarem em contradição com o liberalismo sócio-político presentes no país principalmente da religião católica com a presença do ensino religioso obrigatório patrocinado pelo Estado que transplantava o espaço familiar subjetivo da crença para o espaço público escolar com a finalidade de, obsedante de solução para os problemas econômicos e conciliadora de conflitos de classe, porém este liberalismo não preconizava as idéias liberais de Dewey a respeito da Educação escolar porque os planos educacionais estatais sempre foram econômicos- reformistas nunca um projeto político-pedagógico de discussão a respeito das prioridades e potencialidades da Educação como um processo global de acessibilidade , esclarecimento e conhecimento da realidade sócio-histórica que fundamentasse cidadãos conscientes de seu papel social presentes no movimento da Escola Nova ,que exigia uma educação pública ,laica, secular e de qualidade sem a presença da religião e do dualismo pedagógico tendo como defensores Anísio Teixeira,Fernando de Azevedo e Lourenço Filho que militavam pela tomada de consciência da defasagem entre a educação e as exigências do desenvolvimento, buscando democratizar e transformar a sociedade por meio da instituição escolar, enquanto que os católicos consideravam que somente a verdadeira educação poderia ser aquela vinculada à visão moral cristã de educar através do instruir, efetuada por um ensino humanístico restrito à elites.Este conflito acirrado na realidade era um disputa ideológica porque os escolanovistas representavam o liberalismo democrático e os anseios da burguesia capitalista urbana em ascensão que recusava o dualismo escolar vigente mas ao mesmo tempo não questionavam o sistema capitalista como um todo, negavam as diferenças de classe e eram movidos pelo otimismo pedagógico enquanto que os católicos sempre foram comprometidos com as forças oligárquicas conservadoras e com seu discurso reacionário, tendo a maioria dos sistemas de ensino particulares de grau secundário, o que em suma afastou ambos de uma real educação popular pública, porque a tão propagada laicidade do ensino e na aprendizagem jamais poderia existir uma vez que a existência de uma educação pública e popular de qualidade amplia a participação política e consequentemente a alteração da estrutura do poder.
APRESENTAÇÃO
Sou Pedro Paulo Netto, Intelectual Ateísta convicto desde os quatorze anos e Analista das Relações Sociais, Antropólogo licenciado pela UFES em 2000, e futuro Laicizador Pedagógico; a militância ateísta não resulta na dissociação da minha trajetória sócio-profissionalizante pelo contrário está enraizada racionalmente estruturando meu trabalho e pesquisa intelectual. Este é um blog Ateísta que luta pela Laicidade no cotidiano e pela dignidade da pessoa humana pois como disse Ernest Hemingway: "O mundo é um lugar bom. Vale a pena lutar por ele" mas também completou dizendo: "ALL Thinking Men are Atheists".
Sou Pedro Paulo Netto, Intelectual Ateísta convicto desde os quatorze anos e Analista das Relações Sociais, Antropólogo licenciado pela UFES em 2000, e futuro Laicizador Pedagógico; a militância ateísta não resulta na dissociação da minha trajetória sócio-profissionalizante pelo contrário está enraizada racionalmente estruturando meu trabalho e pesquisa intelectual. Este é um blog Ateísta que luta pela Laicidade no cotidiano e pela dignidade da pessoa humana pois como disse Ernest Hemingway: "O mundo é um lugar bom. Vale a pena lutar por ele" mas também completou dizendo: "ALL Thinking Men are Atheists".
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